Por que se sentir insatisfeito com o trabalho pode ser algo bom

Para Marcelo Cardoso, ex-executivo de RH da Natura e fundador da consultoria Chie Integrates, descontentamento nem sempre deve ser visto como negativo

Você está infeliz com seu trabalho? Não vê propósito no que faz? Sente que está desperdiçando seu talento? Você não está sozinho – e isso não precisa ser algo necessariamente ruim. Ao menos, essa é a visão de Marcelo Cardoso, ex-executivo de recursos humanos da Natura e fundador da consultoria Chie Integrates. Para o especialista, é na insatisfação que vive a energia para mudanças.
No seu negócio, Cardoso conduz treinamentos de recursos humanos para startups e grandes empresas. Ele não quantifica, mas diz que, nos quatro anos de Chie, já treinou milhares de pessoas em startups no Brasil e nos Estados Unidos, ou em empresas como Vox Capital, IBM, além da própria Natura.

Durante esse período, percebeu que o mundo corporativo passa por uma transição. As empresas têm dificuldades para compreender os desafios do novo momento da sociedade, que enxerga o trabalho de maneira diferente. “O que significa engajamento em um mundo no qual emprego não é mais o eixo central da vida?”

Muito por conta desse viés, está cada vez mais comum ouvir relatos de insatisfação no almoço com colegas de trabalho. Dependendo do caso, esse tipo de comportamento pode representar inquietação. “Se a pessoa se sente insatisfeita, ela está preocupada em mudar e tem energia para isso. Nesse contexto, a insatisfação é saudável.”

“Estamos questionando os novos códigos e paradigmas de relação das pessoas com trabalho.” Há, nesse novo momento, a exigência de um modelo capaz de atender a mudanças técnicas, como a chegada da inteligência artificial, além da forma como millenials encaram o emprego. “O modelo meritocrático está se esgotando e deixando pessoas doentes”, afirma.

Propósito
Agora, a palavra de ordem muda de produtividade para propósito. Ou seja, a sociedade começa a se interessar pela sensação de autonomia, aprendizagem e significado no trabalho. “As empresas estão com dificuldade para criar esse contexto. A ansiedade é inevitável para quem vive no meio dessa confusão. Daí que surge a insatisfação.”

Nas startups, falta maturidade para lidar com essas mudanças. Marcelo chama atenção para casos de empresas que crescem rapidamente demais, descuidando de alguns aspectos relacionados a recursos humanos. Mas há o outro lado da moeda: é um modelo mais aberto a tentativas e erros.

Há saída?
Não há resposta fácil para quem procura alternativas para dar fim à insatisfação. Nessa transição, há caminhos a se seguir. “Acho que é uma dança de adaptação entre as pessoas e as empresas”, diz. Do ponto de vista de RH, olhar para desafios como engajamento de pessoas, cultura organizacional e diversidade são um bom jeito de começar.

“A cultura deve abraçar a diversidade. É preciso um olhar mais antropológico.” Do lado organizacional, Cardoso vê com certo receio o que chama de “febre do ágil”. “Esse é sinal do desespero por modelos que vão além da ideia tradicional de hierarquia. É uma possibilidade, não a única.”

Fonte: epocanegocios.globo.com

Os motivos pelos quais sua jornada de trabalho deveria ser mais curta

À medida que preenchemos nossos dias com mais afazeres, descobrimos que não parar não é o ápice da produtividade — é seu inimigo

Quando me mudei de Washington, nos Estados Unidos, para Roma, na Itália, uma visão me impressionou mais do que qualquer coluna antiga ou basílica: pessoas sem fazer nada.Eu frequentemente via mulheres idosas em suas janelas, observando as pessoas passarem, ou famílias fazendo passeios noturnos, parando de vez em quando para cumprimentar amigos. Até mesmo a vida no escritório se mostrou diferente. Esqueça aquele sanduíche comido às pressas na própria mesa. Na hora do almoço, os restaurantes ficavam cheios de trabalhadores fazendo boas refeições.

É claro que, desde que os europeus começaram a viajar e a fazer observações sobre os diferentes estilos de vida no continente, no século 17, criou-se uma ideia estereotipada da “preguiça” italiana. Mas a história não é bem assim. As mesmas pessoas que iam para casa almoçar tranquilamente geralmente voltavam para o escritório para trabalhar até às 20h.

Mesmo assim, a aparente crença no equilíbrio entre o trabalho árduo e o ócio sempre me impressionou. Afinal, não fazer nada parece ser o oposto de ser produtivo. E a produtividade, seja criativa, intelectual ou industrial, é o objetivo máximo de nosso tempo.

À medida que preenchemos nossos dias com mais e mais afazeres, muitos de nós estão descobrindo que não parar não é o ápice da produtividade. É seu inimigo.

Pesquisadores estão mostrando não apenas que o trabalho que produzimos no final de uma jornada de 14 horas é de pior qualidade em comparação com o que fazemos quando estamos descansados. Esse padrão de trabalho também prejudica nossa criatividade e nossa cognição. Com o tempo, pode nos fazer sentir fisicamente doentes – e até, ironicamente, dar a sensação de vivermos sem próposito.

Pense em um trabalho mental como se fossem flexões, diz Josh Davis, autor de Two Awesome Hours (As Duas Horas Incríveis, em inglês). Digamos que você queira fazer 10 mil flexões. A maneira mais “eficiente” seria fazer todas de uma vez, sem pausa. Sabemos instintivamente, porém, que isso é impossível. Em vez disso, se fizéssemos apenas algumas de cada vez, entre outras atividades e ao longo de semanas, atingir esta meta seria mais viável.

“O cérebro é muito parecido com um músculo nesse sentido”, escreve Davis. “Em condições erradas e com trabalho constante, realizamos pouco. Com as condições certas, há poucas coisas que não somos capazes de fazer.”

Os efeitos do excesso de trabalho na saúde
Muitos de nós, porém, tendem a pensar no cérebro não como um músculo, mas como um computador: uma máquina capaz de trabalho constante. Isso não é apenas mentira, mas nos forçar a trabalhar por horas seguidas sem descanso pode ser prejudicial, dizem especialistas.

“A ideia de que você pode estender indefinidamente seu foco e produtividade está errada. É autodestrutivo”, diz o pesquisador Andrew Smart, autor do Autopilot (Piloto Automático, em inglês). “Se seu corpo está dizendo ‘preciso de uma pausa’, mas você continua se esforçando, a resposta a este estresse torna-se crônica – e, com o tempo, pode ser extremamente perigosa.”

Uma análise comparada de diversos estudos descobriu que longas jornadas de trabalho aumentam o risco de uma pessoa ter uma doença coronariana em 40% – quase tanto quanto fumar (50%).

Outro estudo descobriu que pessoas que trabalham por muitas horas têm um risco significativamente maior de sofrer um acidente vascular cerebral, enquanto as pessoas que trabalham mais de 11 horas por dia têm quase 2,5 vezes mais chances de ter um episódio depressivo grave do que aquelas que trabalham de sete a oito horas.

No Japão, isso levou à tendência perturbadora de karoshi, a morte por excesso de trabalho.

Isso quer dizer que você deve tirar aquelas férias há tempos vencidas? A resposta pode ser sim. Um estudo com executivos e empresários na Finlândia descobriu que, ao longo de 26 anos, aqueles que tiraram menos férias tinham maior probabilidade de morrer mais cedo e de ter uma saúde pior na velhice.

Sair de férias também podem trazer benefícios à carreira. Um estudo com mais de 5 mil trabalhadores americanos com empregos de tempo integral descobriu que quem tira menos de dez dias de férias por ano tem menos chances de obter um aumento salarial ou um bônus do que quem tira mais de dez dias.

A relação entre produtividade e o tempo trabalhado
É fácil pensar que eficiência e produtividade são uma obsessão nova. Mas o filósofo Bertrand Russell (1872-1970) teria discordado.

“Diz-se que, embora um pouco de lazer seja agradável, os homens não saberiam como preencher seus dias se tivessem apenas quatro horas de trabalho”, escreveu Russell em 1932, acrescentando que “isso não seria verdade no passado”.

“Antes, existia uma capacidade de despreocupação e diversão que foi de certa forma inibida pelo culto da eficiência. O homem moderno pensa que tudo deve ser feito para o bem de outra coisa e nunca para seu próprio bem.”

Dito isso, algumas das pessoas mais criativas e produtivas do mundo perceberam a importância de fazer menos. Eles tinham uma forte ética de trabalho, mas também se preocupavam em descansar e se divertir.

“Trabalhe em uma coisa de cada vez até terminar”, escreveu o escritor e escritor Henry Miller (1891-1980) em seus “11 mandamentos sobre a escrita”. “Pare na hora marcada! Continue a ser humano! Encontre-se com pessoas, vá a lugares, beba, se quiser.”

Até mesmo um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos, Benjamin Franklin (1706-1790), um exemplo de diligência, dedicou grande parte de seu tempo ao ócio. Todos os dias, ele tinha duas horas de almoço, noites livres e uma noite inteira de sono.

Em vez de trabalhar sem parar como editor para pagar as contas, ele dedicava “um tempo enorme” a hobbies e à socialização. “Na verdade, os interesses que o afastaram de sua profissão levaram a muitas das coisas pelas quais ele é conhecido hoje, como inventar o fogão e o para-raios”, escreve Davis.

Mesmo em nível global, não há uma correlação clara entre a produtividade de um país e a média de horas de trabalho. Com uma jornada semanal de 38,6 horas, por exemplo, o funcionário médio americano trabalha 4,6 horas por semana a mais do que o norueguês. Mas, segundo o Produto Interno Bruto (PIB), os trabalhadores da Noruega contribuem com o equivalente a US$ 78,70 (R$ 300,20) por hora – em comparação com os US$ 69,60 (R$ 265,50) nos Estados Unidos.

E quanto à Itália? Com uma média de 35,5 horas semanais de trabalho, se produz no país quase 40% a mais por hora do que na Turquia, onde as pessoas trabalham em média 47,9 horas por semana. Supera até mesmo o Reino Unido, onde as pessoas trabalham 36,5 horas.

Todos aqueles intervalos no trabalho, ao que parece, podem não ser tão ruins assim.

A origem da jornada de oito horas de trabalho
A razão pela qual temos oito horas de trabalho por dia foi porque as empresas descobriram que reduzir a jornada dos funcionários tinha o efeito inverso do que esperavam: aumentava a produtividade.

Durante a Revolução Industrial, os dias de 10 a 16 horas eram normais. A Ford foi a primeira empresa a experimentar oito horas – e descobriu que seus funcionários eram mais produtivos não apenas por hora, mas no geral. Em dois anos, suas margens de lucro dobraram.

Se os dias de oito horas são melhores que os de dez horas, jornadas ainda mais curtas podem ser melhores? Possivelmente.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Social e Econômica Aplicada de Melbourne, na Austrália, concluiu que, para pessoas com mais de 40 anos, uma semana de trabalho de 25 horas pode ser ideal para a cognição, enquanto a Suécia recentemente experimentou seis horas por dia e descobriu que a saúde e a produtividade dos trabalhadores melhoraram.

Isso parece estar relacionado à forma como as pessoas se comportam durante o dia de trabalho. Uma pesquisa com quase 2 mil trabalhadores de escritório em tempo integral no Reino Unido descobriu que as pessoas eram produtivas apenas por 2 horas e 53 minutos em um dia de oito horas.

O resto do tempo foi gasto checando redes sociais, lendo notícias, conversando sobre temas não relacionados ao trabalho com os colegas, comendo e até mesmo procurando novos empregos.

Podemos nos concentrar por um período de tempo ainda menor quando estamos no limite de nossas capacidades. Pesquisadores como o psicólogo K. Anders Ericsson, da Universidade de Estocolmo, na Suécia, descobriram que, quando fazemos um esforço para realmente dominar uma habilidade, precisamos de mais pausas do que imaginamos.

A maioria das pessoas só aguenta uma hora sem descanso. E muitos músicos, escritores e atletas de elite nunca dedicam mais de cinco horas por dia ao trabalho.

Outra prática comum entre eles? Existe uma “tendência crescente de tirar sonecas”, escreve Ericsson – é uma maneira de descansar o cérebro e o corpo.

Outros estudos também descobriram que fazer pausas curtas em uma tarefa ajuda a manter o foco e continuar realizando um trabalho de alto nível. Não fazer pausas piora o desempenho.

A arte do descanso ativo
Mas “descanso”, como alguns pesquisadores apontam, não é necessariamente a melhor palavra para o que estamos fazendo quando pensamos que não estamos fazendo nada.

Como já escrevemos anteriormente, a parte do cérebro que é ativada quando estamos “sem fazer nada”, conhecida como rede neural de modo padrão (DMN, na sigla em inglês), desempenha um papel crucial na consolidação da memória e nossa capacidade de vislumbrar o futuro.

É também a área do cérebro que é ativada quando as pessoas estão observando os outros, pensando sobre si mesmas, fazendo um julgamento moral ou processando emoções de outras pessoas.

Em outras palavras, se essa rede fosse desligada, teríamos problemas para lembrar das coisas, prever consequências, captar interações sociais, compreender a nós mesmos, agir eticamente ou ter empatia com os outros – todas as coisas que nos tornam não apenas funcionais no local de trabalho, mas também na vida.

“Isso ajuda você a reconhecer a importância das situações, a dar sentido às coisas. Quando você não consegue fazer isso, está apenas agindo e reagindo ao que acontece no momento”, diz a neurocientista Mary Helen Immordino-Yang, pesquisadora do Instituto de Criatividade e Cérebro da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

Também não poderíamos ter novas ideias ou fazer novas conexões. Local onde nasce a criatividade, a DMN é ativada quando você faz associações entre assuntos aparentemente não relacionados ou tem ideias originais.

É também o lugar onde seus momentos de “iluminação” se escondem – o que significa que se, assim como Arquimedes, você teve uma boa ideia enquanto estava no banho ou em um passeio, deve agradecer à sua biologia.

Talvez o mais importante de tudo seja que, se não tivermos tempo para voltar nossa atenção para dentro de nós, perdemos um elemento crucial para a felicidade.

“Quando você não tem a capacidade de relacionar suas ações a uma causa mais ampla, elas parecem sem propósito e vazias com o tempo, por não estarem conectadas a um sentido além de si mesmas. E sabemos que, quando uma pessoa pensa que está agindo sem um propósito, isso tem efeitos negativos sobre sua saúde psicológica e fisiológica com o passar do tempo”, diz Immordino-Yang.

Como se livrar dos efeitos nocivos do trabalho intenso
Como qualquer pessoa que tenha experimentado a meditação sabe, não fazer nada é surpreendentemente difícil. Quantos de nós, após 30 segundos de ócio, pegam o celular?

Na verdade, não fazer nada nos deixa tão desconfortáveis ​​que preferimos nos machucar. Literalmente. Em 11 estudos diferentes, os pesquisadores descobriram que os participantes preferiram fazer qualquer coisa – até dar choques elétricos em si mesmos – em vez de ficarem ociosos. E não foi como se tivessem que permanecer assim por muito tempo: os períodos de ócio variaram entre seis e 15 minutos.

A boa notícia é que você não precisa ficar sem fazer absolutamente nada para obter benefícios. É verdade que o descanso é importante. Mas também é importante fazer uma reflexão ativa, pensar sobre um problema que você tem ou em uma ideia.

De fato, qualquer coisa que exija a visualização de resultados hipotéticos ou cenários imaginários – como discutir um problema com amigos ou mergulhar em um bom livro – também ajuda, diz Immordino-Yang. Se você agir da forma certa, poderá até ativar sua DMN até ao olhar uma rede social.

“Se você está apenas vendo uma foto bonita, ela fica desativada. Mas, se você está fazendo uma pausa e permitindo-se refletir internamente sobre algo mais amplo, como por exemplo o motivo que levou a pessoa da foto a se sentir de tal forma, elaborando uma narrativa em torno dela, então, você pode ativar essa rede”, diz ela.

Também não demora muito para desfazer os efeitos prejudiciais da atividade constante. Quando adultos e crianças ficaram ao ar livre, sem aparelhos eletrônicos, por quatro dias, seu desempenho em uma tarefa que exigia criatividade e capacidade de resolução de problemas melhorou em 50%. Mesmo fazer uma caminhada, de preferência em um local externo, melhora significativamente a criatividade.

Outro método eficaz de reparar estes danos é a meditação: apenas uma semana de prática para indivíduos que nunca meditaram antes, ou uma única sessão para praticantes experientes, pode melhorar a criatividade, o humor, a memória e a concentração.

Qualquer outra tarefa que não exija 100% de concentração também pode ajudar, como tricotar ou desenhar.

Parte do problema para fazer isso, no entanto, está em nossa capacidade de nos controlarmos – o receio de que, se relaxarmos por um momento, tudo desabará.

Isso está errado, diz a poeta, empreendedora e consultora de carreiras Janne Robinson. “A metáfora que gosto de usar é a da fogueira. Quando começamos um negócio e, depois de um ano, finalmente podemos tirar uma semana de folga, a maioria de nós não confia que uma outra pessoa possa realizar nossas tarefas em nosso lugar. Nós pensamos ‘a fogueira vai se apagar'”, diz ela.

“E se nós apenas confiássemos que o fogo está quente o suficiente e que podemos ir embora? Que alguém pode jogar mais madeira na fogueira e fazer ela aumentar?”

Isso não é fácil para aqueles de nós que sentem que precisam estar constantemente “realizando” alguma coisa. Mas, para fazer mais, parece que devemos nos sentir confortáveis em fazer menos.

Fonte: epocanegocios.globo.com

4 a cada 5 recrutadores descartam currículos em menos de 1 minuto

A maioria dos entrevistadores recebe mais de 50 currículos por vaga

Quando você envia seu currículo para uma empresa espera que o responsável por selecionar os candidatos use pelo menos alguns minutos para analisar sua trajetória profissional, certo? A realidade parece ser bem diferente. Uma pesquisa feita com mais de 400 recrutadores pela Catho mostrou que a maioria dos profissionais descarta um currículo em menos de um minuto.

Dos entrevistados, 5% dizem levar menos de 5 segundos para descartar um candidato pelo currículo. 30% demoram entre 6 e 10 segundos para isso, 27% gastam de 11 a 29 segundos e 17% levam de 30 a 59 segundos. Apenas 21% demoram mais de um minuto antes de descartar um currículo.

Essa avaliação rápida é necessária dada a quantidade de currículos recebidos. A maioria dos entrevistadores recebe mais de 50 por vaga e entrevista até dez candidatos para preenchê-la. Por isso, os recrutadores têm o olhar treinado para alguns pontos.

Entre as características que fazem um currículo ser descartado de cara se destacam os erros de português, citados como principal motivo por 34% dos entrevistadores, a e falta de experiência (25%). Ausência de objetivo profissional (10%), o candidato morar longe da empresa (9%) e a apresentação visual do currículo (9%) aparecem na sequência.

Quando pegam um currículo pela primeira vez, os recrutadores observam a experiência profissional, o objetivo e a formação acadêmica. Essas são as informações que não podem ficar de fora. Há dados, porém, que não devem estar no documento. O item mais citado, por 74% dos entrevistadores, foram informações de contato desatualizadas. Em segundo lugar, aparecem fotos inadequadas e números de documentos, como CPF e RG.

Fonte: epocanegocios.globo.com

Quer se tornar uma pessoa de sucesso? Comece com estes 12 hábitos

As 8 principais características procuradas pelas grandes empresas

Como superar desafios do primeiro emprego

O primeiro emprego vem acompanhado de expectativas e medos que podem atrapalhar os profissionais em início de carreira, já que podem dificultar a adaptação e a superação dos primeiros desafios no mercado de trabalho.

Segundo Rodrigo Vianna, CEO da Mappit, consultoria especializada no recrutamento de profissionais em início de carreira, a falta de experiência é o principal desafio e não apenas pelos motivos óbvios, já que o empregador sabe que é o primeiro emprego do contratado e não deve exigir performance além do esperado, mas porque deste fator desencadeiam outras questões como o medo do novo. “O profissional não sabe o que vai encontrar e como vai ser a rotina, já que nunca passou por uma situação semelhante antes e isso pode gerar uma ansiedade além do natural”, avalia Vianna.

Para vencer este primeiro e mais complexo desafio, Vianna explica ser importante que a pessoa tente trazer à mente outras situações parecidas, como a do primeiro dia na faculdade, primeiro dia no intercâmbio e mudanças ao longo da vida. “Dessa forma, a mente se abre para a parte boa de uma nova experiência e não para o medo que paralisa”, explica.

O especialista lembra também que a velocidade das gerações millenial e Z, que estão entrando no mercado de trabalho, é bem diferente das gerações anteriores. “Isso traz muitas vantagens, mas também um ponto negativo que é o fato de muitas vezes não saber esperar por oportunidades, mais conhecimento e mais experiência”, afirma. Conseguir uma primeira oportunidade de trabalho e ter a expectativa de que em poucos meses possa subir de cargo é uma meta irreal na maioria dos casos, de acordo com Vianna.

Portanto, é recomendável alinhar as expectativas com o gestor e entender como funcionam as promoções e plano de carreira na empresa antes de criar expectativas incompatíveis com a realidade e acabar frustrado. “Aproveite para aprender tudo, compreender as áreas em que tem interesse em atuar, ganhar experiência e só então direcionar seus esforços para seu objetivo de carreira”, aponta.

Um terceiro desafio do profissional iniciante é a administração do tempo. Em geral este profissional ainda está terminando os estudos e tem dificuldade em conciliar trabalho, estudos, horário de descanso e vida social.  “Neste caso, o melhor a fazer é se organizar e definir muito bem o tempo que cada uma dessas variáveis terá na vida do profissional”, aconselha Vianna.

O início da carreira é uma grande aventura e o começo de uma nova vida. Os desafios são naturais e esperados e devem ser superados com calma, organização e humildade. “Não há nada errado em pedir ajuda, orientação e feedback sempre que necessário, afinal, o profissional está começando a construir sua carreira”, finaliza.

Fonte: mundopositivo.com.br

Liderança 4.0: criando o que não existe hoje

A atual revolução tecnológica que está mudando a forma como trabalhamos, vivemos e nos relacionamos é diferente de tudo o que já presenciamos

Imagine um presidente de uma multinacional da década de 1950 que é transportado aos dias atuais e que, assumindo o mesmo cargo (agora rebatizado por CEO), depara-se com um grupo de colaboradores em plena atividade de ginástica laboral. Ele dá dois passos e se encontra com sua nova assistente vestindo jeans e tênis – e não um tailler bem cortado –, usando cabelos pintados de azul e portando, em vez de um bloco e uma caneta, um laptop ou tablet. Ela substitui a querida Ana, que está em licença-maternidade há quase um ano (quem diria que isso é possível?). Ao pedir um café, o recebe em um copo totalmente ecológico porque o material faz parte de um extenso programa da empresa que visa à preservação do meio ambiente.

Na reunião da tarde, é recebido por profissionais que parecem saídos do colegial (agora chamado de Ensino Médio), garotos e garotas que falam muita gíria, têm ideias e projetos incríveis e jamais viram um terno na vida… Aqui e ali, ele até vê um executivo sênior, mas, espanta-se ao saber que os líderes nem sempre são os mais velhos, mas, sim, os jovens, que vão embora de bicicleta, patins elétricos ou ficam na academia do próprio prédio, já que valorizar a saúde é uma de suas prioridades.

É, o mundo mudou consideravelmente, em pouquíssimo tempo. Se avaliarmos a história hipotética acima, cada parte dela é relacionada às pessoas, seus comportamentos, necessidades, estilos de vida, competências, capacitação e forma como trabalham e se relacionam. A situações citadas seriam inviáveis – e até bizarras – em 1950, mas, comuns atualmente. E essas transformações exigiram investimentos em liderança, para que as companhias evoluíssem junto com a tecnologia e as necessidades do mercado – mas, principalmente, com as pessoas que fazem tudo acontecer.

As empresas passaram por inúmeras adaptações – tantas que, atualmente, é necessário ao líder concentrar seus esforços mais no material humano, no ambiente social e nos recursos ambientais do que apenas na tecnologia ou na produtividade pura e simples. Gosto muito de uma frase do professor Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, proferida em 2016: “Precisamos de líderes que sejam emocionalmente inteligentes e capazes de modelar e defender o trabalho cooperativo. Eles capacitam, em vez de comandar; eles serão movidos pela empatia, não pelo ego. A revolução digital precisa de uma liderança diferente, mais humana”.

Klaus Schwab cunhou os termos Liderança 4.0 e Revolução Industrial 4.0 na mesma época. Para ele e outros estudiosos das mudanças empresariais globais, as corporações mudaram a forma como lideram a partir de uma nova cultura, de inovação e metodologias que permitem fazer negócios alinhados com os anseios de seus acionistas, mas, ao mesmo tempo, valorizando o trabalho das equipes e do capital humano.

Para Schwab, a revolução tecnológica que está mudando a forma como trabalhamos, vivemos e nos relacionamos é diferente de tudo o que já presenciamos e, diante de tanta novidade, a Quarta Revolução Industrial é ímpar, afinal, quem imaginava que drones fariam entregas em locais inóspitos, cirurgias seriam realizadas à distância e por robôs, carros andariam pelas ruas sem motoristas e pessoas alugariam quartos em casas de outras, nos mais variados países do mundo, com apenas alguns toques na tela do smartphone? Tudo isso afeta a forma como as empresas precisam ser lideradas porque são seus líderes que ajudarão na manutenção das companhias no futuro. É necessário que as empresas se preparem para um futuro ainda mais diferente, inovador e cheio de novos modelos de negócios, que podem trazer desafios que superarão todos os já vividos.

Mas, como se preparar para liderar nessa nova realidade e prever tudo o que está por vir? Se aquele executivo, do início do nosso texto, deparou-se com tantas coisas inimagináveis há 70 anos, temos que fazer um exercício enorme para imaginar o futuro e tentar prever as relações que ocorrerão adiante. Se, hoje, critica-se a possível frieza criada pelo uso excessivo da tecnologia, que nos aproxima de quem está distante, mas nos afasta de quem está ao nosso lado, essa mesma geração tecnológica valoriza a qualidade de vida, buscando mais lazer, momentos dedicados à saúde e ao esporte. A preocupação com o meio ambiente e a responsabilidade de cada empresa sobre o planeta não são simples estratégias de Marketing, mas, atitudes reais e cobradas pelos consumidores. As lideranças, para obterem os melhores resultados, não mandam mais, mas, precisam de apoio, colaboração, ações em conjunto – e até combinadas com outras empresas – e a própria concorrência pode virar aliada, em alguns casos.

Tudo está ligado a criar o futuro que não existe hoje, através da interação homem-máquina. Não se trata de deixar de lado a tecnologia e a inovação, mas, de pensar que a liderança se faz pensando nas pessoas e para as pessoas. É nelas que deve-se colocar o foco. É para elas que devemos trabalhar, pensar e por elas devemos liderar.

Marcelo Tertuliano — Administrador de Empresas, com 24 anos de experiência na função financeira, dos quais, 16 anos em posições de liderança. Atualmente está à frente da área financeira de uma grande mineradora em Moçambique.

Fonte: http://www.administradores.com.br